Abraji programa o 7º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo para Julho de 2012
A sétima edição do congresso anual da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo já tem data para acontecer: será nos dias 12, 13 e 14 de julho de 2012.
Pelo quarto ano consecutivo o evento será uma parceria com a Universidade Anhembi Morumbi. A edição de 2012 do Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo acontecerá no campus Vila Olímpia da instituição.
A programação do 7º Congresso da Abraji já está sendo desenhada e incluirá painéis sobre cobertura do crime organizado e corrupção, de eleições, de administração pública, de obras para a Copa do Mundo e Olimpíadas, entre outros.
Toda a programação estará disponível em breve no site da Abraji: www.abraji.org.br. Siga nossa conta no twitter (@Abraji) e procure nossa página no Facebook para acompanhar as novidades. Os melhores momentos do último Congresso podem ser conferidos no blog elaborado pelos estudantes do projeto Repórter do Futuro: http://6congressoabraji.wordpress.com/
Os associados à Abraji têm descontos significativos na hora de fazer a inscrição no Congresso. Mais informações sobre as vantagens de ser sócio da Abraji você encontra no link http://bit.ly/filiese.
Fonte: notícia originalmente divulgada pela Abraji em 19/10/11.
Página literária Letras e/& artes – Curitiba, 1959-1961
Novidade cultural no mundo das letras e da memória da imprensa paranaense e brasileira: lançamento da edição fac-símile do suplemento "Letras e/& Artes".
Para quem gostou de consultar nos anos 2000 as reproduções em tamanho original de "Joaquim" (Curitiba, 1946-1948) e de "O homem do povo" (década de 1930, São Paulo), deve estar ansioso para conhecer o cenário cultural de Curitiba há 50 anos, cidade conhecida por superar criativamente a sua tensão entre província e metrópole.
O espaço "Letras e/& Artes" foi editado entre 1959 e 1961 (85 domingos) por Sylvio Back no jornal "Diário do Paraná", órgão pertencente aos Diários Associados. O cineasta tinha então 22 anos.
A novidade literária circula à margem do comércio e recebeu patrocínio da Itaipu Binacional. Tem 84 páginas, em tamanho do jornal da época, 94x64cm. Em nota, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná parabeniza esta iniciativa, uma vez que "nas páginas de 'letras e/& artes' plantou-se o jornalismo literário do estado". O blog Artigo não teve a oportunidade de conhecer o resultado final da obra, portanto, escreve sob o signo da expectativa de ver combinados os autores marcados no expediente do caderno. Em trecho de entrevista concedida ao jornal "Notícias do Dia" (Florianópolis) por Sylvio Back, em que fala de como era a pauta (leia AQUI a íntegra do conteúdo coletado por Carol Macário).
"A pauta era sancionada por uma absoluta liberdade temática e de expressão e opinião. Havia nas colaborações uma "fúria do bem". Cinema, jazz, poesia, filosofia, história, teatro, ensaísmo, política & ideologia, tudo eivado de uma urgência e pertinência a toda prova. Nada de acertar contas com o passado ou com o pretérito recente de intelectuais, artistas ou instituições culturais. A meta da editoria consistia em motivar, incendiar e fazer valer a produção e a invenção do presente. Tudo na tentativa de poder espanar a modorra da provinciana Curitiba".
Fonte da imagem: SindijorPR
Abaixo, as palavras de próprio Sylvio Back contextualizam o suplemento dentro do cenário cultural da época. Texto de press-release.
Suplemento cultural de Curitiba prenuncia os anos 60
Sylvio Back
Desde quando nasceu, em 23 de agosto de 1959 até a sua intempestiva interrupção em março de 1961, "letras e/& artes" foi um marco no jornalismo cultural de Curitiba, e na própria vida literária paranaense.
Com sua equipe de jovens autores e formatação gráfica inusual, aliada à contundência dos textos, a histórica página, agora replicada em edição fac-similar fora do comércio, sempre privilegiou a temperatura da arte no Paraná, conflagrando a engessada cultura local (leia-se, curitibana), frequentemente, afeita ao beletrismo e à mimetização do que vinha de fora.
Para dar conta dessa inédita empreitada, "letras e/& artes" tínhamos total liberdade de expressão e opinião. Jamais a editoria foi admoestada ou censurada, nem constrangida a publicar texto não solicitado.
O tônus polêmico da página era cunhado por uma plêiade de artistas plásticos, contistas, poetas, cronistas, críticos de teatro e de cinema, filósofos, historiadores, etc. que, naquele espaço semanal único, encontravam guarida para suas criaturas, muitas delas na contramão do que se produzia e publicava em Curitiba.
Lembro-me bem que as edições dominicais eram avidamente lidas por alguns colaboradores, claro, inclusive, por mim, que ficava ali lambendo a cria ainda de madrugada - na boca da rotativa. Compartilhávamos da alegria dos gráficos que se dedicavam à página, eu diria, quase autoralmente, desde a transcrição e correção dos textos na linotipo até a sua impecável impressão.
Com os dedos ainda lambuzados de tinta fresca, "letras e/& artes", ato contínuo, era curtida nos bares e restaurantes da moda. As discussões e os debates começavam ali mesmo e se estendiam até o amanhecer de domingo, repercutindo depois na cidade pela semana afora.
Colaboradores ilustres
Na sua breve existência, totalizando oitenta e cinco edições, "letras e/& artes" (inexplicavelmente, às vezes a logomarca saía com "e", outras, com "&") conseguiu reunir alguns dos melhores textos de Curitiba naquele crepúsculo da década de cinquenta e cúspide dos sessenta.
Entre outros, compareciam com regularidade assinando ensaios, críticas, poemas e ilustrações, Celina Silveira Luz, Walmor Marcelino, Oscar Milton Volpini, René Dotti, Paulo Gnecco, Helena Wong, Mário Fernando Maranhão, Hélio de Freitas Puglielli, Fernando Pessoa Ferreira, Ênnio Marques Ferreira, Carlos Varassin, Luiz Carlos de Andrade Lima, Regina de Andrade, Paul Garfunkel, Heitor Saldanha, Gilberto Ricardo dos Santos, Adherbal Fortes de Sá Jr., Pedro Geraldo Escosteguy, Manoel Furtado (cujo belo desenho ilustra a capa desta edição fac-similar), Ernani Reichmann, Ivette Gusso Lopes, Alberto Massuda, Francisco Bettega Netto, Mario de Andrade, Vicente Moliterno, Edésio Passos, Erwin Hromada, Jairo Régis, Cecy Cabral Gomes, Assad Amadeu, René Bittencourt, Antenor Pupo, Luiz Geraldo Mazza, Sebastião França, Yvelise Araújo, Nelson Padrella, Mauri Furtado, Roberto Muggiati e Glauco Flores de Sá Brito.
Textos premonitórios
Frequentemente, as opiniões dos articulistas provocavam furibundas reações da micro-intelectualidade curitibana, quase toda ela de corte aufofágico, incapaz de acreditar nos criadores à sua volta (muitas delas chegavam até a pregar a extinção do suplemento). Para contrabalançar, eu tinha o retorno entusiástico dos leitores expresso em cartas, telefonemas e nas colaborações remetidas à redação.
Ainda que não tivesse nenhum parentesco nem se remetesse ao suplemento "Joaquim", dirigido pelo então também jovem Dalton Trevisan na década de ‘40, interessante constatar hoje como "letras e/& artes" refletia uma antecipação paroquial dos anos sessenta.
Seu conteúdo estava sintonizado nas discussões nacionais sobre cultura popular, existencialismo, marxismo, arte engajada, a relevância da poesia, da literatura, do teatro e do cinema brasileiros.
Por essas e outras, a redação virtual do "letras e/& artes" sempre fervia de novidades, congregando jornalistas e autores experimentados a dezenas de neófitos (todos indisfarçáveis candidatos a escritor, poeta, crítico, advogado, político, sindicalista e cineasta...).
Com as exceções que confirmam a regra, supinamente radicais, bem ao estilo daqueles tempos ideologizados que começavam a se delinear.
Dor e orgulho
Havia naquelas edições dominicais a dor e o orgulho do saber da província: produzia-se de e para Curitiba. Não havia o flerte e a reverência ao eixo Rio-São Paulo, ainda que alguns dos nossos maiores, como Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira, por exemplo, sempre tivessem seus poemas reproduzidos.
Havia, sim, prioritariamente, o reconhecimento da criatividade emergente local que, pela primeira vez, naquela quadra, encontrava espaço pertinente para estrear sua produção.
Arrisco dizer que "letras e/& artes", pela pegada iconoclasta, e desde então, rotineiramente "esquecido" e omitido pela Curitiba acadêmica como se nunca tivesse existido, só teve ressuscitado seu estilo trinta anos depois pelo mensário "Nicolau" (do qual, aliás, fui assíduo colaborador).
A sua prematura "morte" em 1961, com a minha inesperada demissão do jornal por ser um dos líderes de uma greve salarial, se deixou um vácuo de tristeza entre todos que o fazíamos com tanta paixão, dele sobrevive hoje, meio século depois, uma inestimável fortuna crítica de talento, inconformismo e controvérsia.
Sylvio Back é cineasta, poeta, roteirista e escritor. Autor de 37 filmes de curta, média e longa-metragem (11), publicou 21 livros (poesia, roteiros, contos e ensaios). Em lançamento nacional, o novo filme, "O Contestado - Restos Mortais"; em filmagem, o doc "O Universo Graciliano"; em preparo, a ficção,"A Angústia", baseado no romance de Graciliano Ramos. sylvioback@gmail.com.
Divulgação do chamada para artigos da Brazilian Journalism Research (BJR)
A revista Brazilian Journalism Research (BJR) é um periódico científico semestral publicado pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), a associação é dedicada à teoria e à pesquisa sobre jornalismo (tanto o trabalho teórico, quanto o empírico).
A revista é editada em inglês e português e está indexada em base de dados como a Latindex e DOAJ. A equipe editorial da BJR convida autores para submeter trabalhos para a sua próxima edição (v.8, n.1), que terá como Dossiê Temático “Mídias digitais, convergência e prática jornalística: desafios e perspectivas”.
Prazo final para envio dos artigos: 30 de março. A chamada para artigos, em português, e o call for papers, em inglês, estão disponíveis AQUI .
Calendário para o Volume 8, número 1, 2012 Submissão de artigos: até 30 de março de 2012 Pareceres: até 15 de maio de 2012 Previsão de publicação: 30 de junho de 2012
Mídias digitais, convergência e prática jornalística: desafios e perspectivas O advento e a introdução das mídias digitais trouxeram mudanças na organização e na dinâmica da sociedade, o que reflete, por exemplo, na sua estrutura sociotécnica-discursiva. As interações sociais ganham novas modalidades de produção de sentido. Entre as consequências das mídias digitais estão os diferentes processos que estas integram, o que se chamou convencionalmente de “convergência midiática”, bem como a emergência de uma cultura da convergência. Apreendido como o novo imperativo nas empresas de comunicação, uma estratégia de sobrevivência na crise do jornalismo, o termo convergência (de processos, linguagens, operações e plataformas) é apropriado como uma das grandes respostas às mudanças estruturais que incidem sobre a prática jornalística nos últimos anos.
As experiências multimídias têm requerido um aporte de recursos financeiros pelas empresas para a montagem de estações de trabalho integradas. Envolvem ainda mudanças na cultura organizacional dessas instituições, que ensaiam alterações de diferentes escalas em uma estrutura departamentalizada. Isso pode ser refletir em um aumento no número de atribuições dos jornalistas, com a concentração de processos como pesquisa, redação, edição, pesquisa por ilustrações, publicação e pós-publicação em um grupo restrito de profissionais. Ou nas exigências de se produzir um mesmo conteúdo para vários formatos midiáticos (impresso, TV, rádio, on-line). A lógica da convergência também resulta na produção de textos híbridos que combinem jornalismo, publicidade, serviços e entretenimento.
O objetivo do dossiê da BJR é promover o debate em torno das diferentes apropriações do termo “convergência” no jornalismo. Quais tipos de processos/práticas têm sido classificados como resultado da convergência midiática? O que reúne/distingue esses diferentes processos? Quais as condições de emissão de um discurso em torno da convergência? Como ele tem sido utilizado para promover mudanças nas redações, nas práticas jornalísticas e na estrutura das empresas de comunicação? Em que sentido o termo permite introduzir inovações nas redações jornalísticas ou ainda reforçar – sob outras condições – práticas sociodiscursivas já estabelecidas no jornalismo?
Os trabalhos submetidos devem abordar aspectos teóricos e estudos empíricos sobre a utilização das mídias digitais e a convergência e suas relações com as diferentes dimensões da prática jornalística.
Os artigos podem seguir estes eixos: 1. As relações entre a convergência e a economia das empresas de comunicação, incluindo os processos de concentração de operações, as tomadas de decisão em torno da diversificação de produtos e conteúdos midiáticos, bem como as alterações nas estruturas organizacionais.
2. Impactos da convergência na produção jornalística e na cultura profissional dos jornalistas, abarcando as rotinas produtivas, as interações com fontes, as formas de apuração, apresentação, construção, circulação e consumo do conteúdo jornalístico, formação e os modos de acesso ao mercado de trabalho, e as relações com os públicos e dos públicos com o jornalismo.
3. A criação de novos produtos convergentes. Nesse eixo, podem ser apresentados trabalhos que analisem a forma como a convergência resultou/tem sido utilizada para justificar mudanças no formato da notícia, bem como processos de hibridização do discurso jornalístico com outros gêneros textuais (publicidade, entretenimento etc.), a criação de conteúdos multimídia etc.
4. A convergência e dinâmicas de transformação do jornalismo, o que pode resultar em trabalhos sobre a apropriação desse termo nos discursos emitidos dentro e fora do meio profissional, como forma de justificar mudanças nas relações de trabalho, estratégias de sobrevivência à crise do jornalismo, bem como instrumentos de renovação/conservação dessa atividade.
Trabalhos que abordem outros eixos de análise que estejam de acordo com a temática do dossiê também podem ser submetidos. Além do dossiê temático, os editores aceitarão artigos para a sessão Temas Livres. Editores do Dossiê: Kenia Maia e Fábio Henrique Pereira.
Submissão A Brazilian Journalism Research – BJR – é uma revista científica semestral publicada pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor). A Associação se dedica à teoria e pesquisa em jornalismo (tanto trabalho teórico quanto empírico). O periódico tem uma versão em português desde o segundo semestre de 2008. Para outras informações sobre a SBPJor, visite o nosso site. Artigos: Devem ser originais em inglês e em português. Os autores deverão enviar pelo sistema eletrônico da revista e para o endereço eletrônico.
Após a submissão, os autores brasileiros se comprometem a enviar a versão em inglês do trabalho quinze dias após a comunicação do aceite, caso o artigo seja aprovado pelos pareceristas. Os autores estrangeiros também deverão enviar a versão do texto em português quinze dias após a comunicação do aceite, caso recebam parecer favorável para publicação do artigo na BJR. Recomenda-se que trabalhos de doutorandos, mestrandos, e graduandos sejam submetidos em regime de coautoria com pesquisadores que tenham título de Doutor.
Cada artigo deve conter: - Em uma página separada escreva o título do artigo, o subtítulo, e o(s) nome(s) completo(s) do(s) autor(es), com sua atual afiliação acadêmica/profissional e seu atual endereço eletrônico; - Envie um resumo com no mínimo 130 e no máximo 150 palavras; e entre três (3) e cinco (5) palavras-chave; - Uma nota biográfica curta (até 5 linhas) também deve ser fornecida numa página separada; - Cada uma das duas versões do artigo (inglês e português) deve ser redigida em fonte Times New Roman, corpo 12, espaço entre linhas de 1,5 cm, conter de 20 mil a 35 mil caracteres (incluídos neste cálculo os espaços, as referências bibliográficas e as notas), com introdução e intertítulos em itálico, que não devem ser numerados, obedecendo a uma hierarquia clara de títulos e subtítulos que facilite a leitura; - Notas devem ser redigidas no final, antes das referências bibliográficas; - As referências e as notas devem ser citadas no texto com (AUTOR, data, e página); - Tabelas, figuras, fotos e ilustrações devem ter uma boa qualidade, serem numeradas sequencialmente por categoria e claramente identificadas (Exemplos: Figura 1, Figura 2; Tabela 1, Tabela 2 etc.); - Uma secção de referências em ordem alfabética deve seguir o texto; use o estilo ABNT.
Permissões de direitos de autor: os autores são responsáveis pela obtenção de permissões de direitos de autor para reproduzir qualquer cotação, ilustração ou fotografia publicadas anteriormente em outro local.
Resenha de livros: a revista inclui uma secção de resenhas de livros sobre jornalismo e áreas afins com até 1.000 palavras. Favor enviar comentários sobre livros para Célia Ladeira.
Informações adicionais: visite os websites da SBPJor e da Brazilian Journalism Research ou entre em contato com Kenia Maia, Editora Executiva. Orientações detalhadas para os autores estão disponíveis para download AQUI.
Brazilian Journalism Research Director: Dione Oliveira Moura Executive Editor: Kenia Maia Adjunct Editors: Iluska Coutinho & Fábio Henrique Pereira Book Review Editor: Célia Ladeira Graphic Design Project: Nanche Las-Casas Graphic Designer: André Vendrami Translator/Revisor: Jack Liebof / Sergio Meira
Fonte: e-mail da lista de discussão da SBPJor enviado por Kênia Maia, vice-presidente da SBPJor e editora executiva da BJR.
Morre uma figura ímpar do esporte - jogador de futebol politizado, astuto e bem-humorado. Sócrates deixa saudades. Em sua penúltima coluna na Carta Capital, ele evocou Martin Luther King, Nelson Mandela e lembrou até da luta do Exército brasileiro contra os depauperados de Canudos.
Culto e corajoso, Sócrates tinha as habilidades de um articulista nato. Cria-se um vácuo de cultura para tratar do fosso moral em que se converteu a administração do futebol no mundo.
Olha as palavras do homem:
"Entre os brasileiros também encontramos idealistas natos, como Luiz Carlos Prestes, que doou sua vida e até acompanhou a morte da mulher Olga, assassinada em um campo de concentração nazista, por uma causa onde a justiça e a igualdade eram os valores proeminentes. Ou Antonio Conselheiro, líder de Canudos, cuja guerra foi tão bem relatada por Euclides da Cunha em Os Sertões. Com a gente paupérrima e sofrida pela fome, seca e falta de perspectiva econômica e social, ele criou uma comunidade de pura sobrevivência e que foi esmagada pelo Exército brasileiro. Como se perigosos fossem. O único perigo,como sempre, era o do exemplo que poderiam dar a gente com os mesmos problemas. Eles também sonharam".
Caco Barcelos, em entrevista à Globo News, recorda a importância da apuração jornalística
Vídeo que deu o que falar sobre jornalismo:
Caco Barcelos, entrevistado na Globo News, relativiza haver um bom momento na imprensa brasileira, com trabalhos investigativos. Ele questiona repórteres que não assumem o compromisso com a apuração noticiosa e agem no campo do jornalismo declaratório para fazer denúncias.
"(...) há colegas que já divulgam sem sequer checar o outro lado. Sem sequer fazer uma apuração mínima antes de saber se há procedência, ou não, na acusação".
Que tempos! Fazer um comentário tão lúcido e causar rebuliço não é lá dos melhores sinais.
Depois de conferir o link de @nilsonlage para o link do vídeo (AQUI, "Blog da Cidadania" - Eduardo Guimarães), encontrei por lá também a transcrição do áudio. O crédito desse trabalho de divulgação, portanto, não pertence a mim.
Eliane Cantanhêde – Oi, Caco. Olha, eeee… Esse ano tem sido um ano muito bom pro jornalismo brasileiro, né…
Caco Barcelos – Você acha?
Cantanhêde – Eu acho… Sabe por que?
Barcelos – Ahn?
Cantanhêde – Você tá vendo que a presidente Dilma, por exemplo, tá capitalizando muito a coisa da faxina, mas quem descobriu as histórias do Palocci, do Alfredo Nascimento, do Wagner Rossi e, agora, do Pedro Novaes foi a imprensa, evidentemente trabalhando, ali, com o Ministério Público, Polícia Federal e os órgãos de investigação. Mas a imprensa tem tido um papel decisivo nessa “faxina”. Eu queria saber se você participa da Abraji, que é a Associação Brasileira de Jornalistas Investigativos – você é um jornalista de ponta nessa área – e o que você acha desse tipo de organização. Se vale a pena, se é importante, em que pode melhorar…
Barcelos – Acho muito importante mas eu não participo. Eu nunca acho tempo para fazer militância ao lado do meu trabalho. Ali não é exatamente militância, mas precisa de organização, precisa de disciplina, precisa participar dos Congressos. Eles me convidaram gentilmente, algumas vezes… Não consegui, embora não participe da entidade. Imagina se participasse. Então não me sobra tempo. Eu adoraria escrever um outro livro, que tem uma apuração longa, já acumulada. Só acumula, lá. Acumulam os dados e eu não consigo escrever. Infelizmente eu não consigo ter outra atividade que não seja de ir pra rua todo dia atrás de alguma história.
Mas eu tenho uma preocupação com esse momento da imprensa brasileira. Não sei se você… O que você acha do que eu vou te falar: me parece que muitas das acusações que fazem à imprensa estão sendo baseadas em declarações de uma determinada fonte. Evidentemente que boa parte dos que faz… Dos que fazem esse tipo de é, é jornalista muito criterioso e tem cuidado antes de divulgar. Mas há colegas que já divulgam sem sequer checar o outro lado. Sem sequer fazer uma apuração mínima antes de saber se há procedência, ou não, na acusação. Sabe por que que me preocupa isso? Porque eu lembro de um episódio semelhante, a gente falava também, assim, que o jornalismo estava vivendo um momento muito interessante, muito, muito inquietante, inclusive, porque levou ao impeachment do presidente Collor. Foi uma iniciativa também, ali, da imprensa. Mas eu acho, também, que foi uma iniciativa que nasceu do jornalismo declaratório, não é? Foi o irmão dele que fez aquela denúncia… O que aconteceu com o nosso presidente? Ele foi punido politicamente. Sofreu o impeachment. Na Justiça ele não foi punido. Por que que não foi punido na Justiça? Por que a Justiça é venal? Não sei… Ou será que a gente não investigou tão seriamente como poderia e não levou uma prova mais contundente para a Justiça avaliar? Nós, da imprensa, o Ministério Público, etc., etc.
Vou te devolver a pergunta dessa maneira. Você concorda comigo, discorda?
Cantanhêde – Posso falar?
Barcelos – Pode, lógico.
Cantanhêde – Olha, eeee… Vamos pensar o seguinte: não é só declaração, né. Como é que foi a história do Palocci? Os nossos jornalistas, lá na Folha de São Paulo, ficaram dois meses trabalhando naquilo. Eeee… Um deles obteve informação de que Palocci tinha comprado um apartamento de quase sete milhões de reais – o que não é pueril, né, e não é uma declaração, mas um fato. O repórter foi duas vezes a São Paulo, foi lá no local. Depois descobriu que o apartamento tava no nome de uma empresa. Foi lá, descobriu que a empresa não tinha placa, não tinha secretária, não tinha coisa nenhuma, e que, ahnn, o Palocci, na verdade, no ano eleitoral em que ele era o homem-chave da campanha da presidente Dilma Rousseff – era, enfim, uma figura-chave do PT –, ele, simplesmente, ganhou… Aumentou o patrimônio dele acho que em 80%… Uma coisa assim, eu não me lembro mais os detalhes. Mas isso não é declaração, Caco. Isso é um trabalho de investigação que durou dois meses e envolveu muita gente, envolveu viagens, apuração… Tanto que…
Barcelos – Eliane, você falou do Palocci…
Cantanhêde – O Palocci falou, na Globo, eeee… Teve um espaço enorme para se defender e não se defendeu.
Barcelos – Bem, agora, Palocci é um exemplo, mas todo dia são uma meia dúzia de exemplos… Você falou um exemplo onde seus colegas apuraram bastante. Mas você concorda que há muitas… ahn, ahn.. denúncias feitas, inclusive, ao vivo! Imagine se você está ao vivo… Que critério você tem de checagem, se você está ao vivo na internet, no rádio, na televisão? Isso está acontecendo hoje. Tem iniciativas muito sérias, importantes e conseqüentes. Mas, ao lado disso, me parece que denúncias preocupantes.
Felizmente, acho que a maior parte do que está se falando, está se comprovando verdade. Mas, na seqüência, é aí sim da investigação. Mas o início sempre começa com declarações contundentes, envolvendo o nome de muita gente, muita gente que acaba sendo punida e muita gente que não tinha nada que ver com a história, mas, na pressa da, da denúncia eu acho que a gente acaba cometendo algumas irresponsabilidades, me parece.
Dia do Professor - vídeo homenageia Luís Cunha, um formador e inspirador de geógrafos
Universitários de Geografia da UEPG prestaram homenageam ao professor Luis Alexandre Gonçalves Cunha durante a semana acadêmica realizada neste mês. Em um vídeo de 15 minutos, de produção amadora, manifesta-se o reconhecimento do mestre na formação acadêmica e pessoal de várias gerações.
Cunha trabalha na Estadual deste 1996, onde, atualmente, atua em quatro grupos de pesquisa. A filmagem capta o que um currículo Lattes bem pontuado não revela - a valorização da figura do professor por alunos e colegas de profissão. Tal como nas redes sociais, o Dia do Professor foi lembrado e alvo de gestos de carinho - motivo suficiente para justificar este post. Recomendo por ser um singelo e bonito registro.
ALAIC 2012 - Congresso Latino-Americano de Pesquisadores de Comunicação
Divulgação de evento internacional de pesquisa em comunicação, marcado para maio de 2012 na capital uruguaia. Abaixo, há informações sobre as inscrições e as informações sobre o grupo de trabalho dedicado ao jornalismo.
Organizan: ALAIC (Asociación Latinoamericana de Investigadores de la Comunicación) Universidad de la República (UDELAR) - Ciencias de la Comunicación
Participan: Universidad Católica del Uruguay Universidad ORT Universidad de Montevideo
Ejes temáticos: 1. La investigación en comunicación en América Latina: diálogos y compromisos con la sociedad. 2. La construcción del campo comunicacional: ciencias sociales, tecnologías y diálogos transdisciplinarios. 3. Comunicación y pensamiento crítico latinoamericano: interculturalidad y decolonialidad. Sesiones plenarias: Paraninfo de la Universidad de la República Grupos Temáticos y de Interés: Facultad de Ciencias Sociales (UDELAR) Talleres y otras actividades: locales a confirmar
CONVOCATORIA A PRESENTACION DE RESÚMENES PARA PONENCIAS en Grupos Temáticos (GT) y Grupos de Interés (GI): 15 de setiembre al 15 de noviembre de 2011
Normas para presentación de resúmenes Deberá ser un texto de entre 3000 y 4000 caracteres, conteniendo: 1. Datos del autor o autores: nombre, universidad, país, correo electrónico. 2. GT o GI para el que se propone. 3. Objetivos y/o tema central a abordar. 4. Caracterización del estudio, experiencia o reflexión teórica propuesta. 5. Enfoque y/o metodología de abordaje.
No podrá presentarse más de un resumen por participante. Los resúmenes deben ser enviados a los coordinadores de los GT y con copia a los Vice-coordinadores respectivos, UNICAMENTE. Fecha en que se comunicará la aceptación de los resúmenes: 5 de diciembre 2011. Presentación de ponencias completas: hasta el 4 de marzo de 2012.
Normas para presentación de trabajos completos: 1. Datos del autor o autores: nombre, universidad, país, correo electrónico. 2. GT/GI en que se presentará. 3. Resumen. 4. Texto completo en letra 12 a espacio y medio. 5. Bibliografía, siguiendo las normas APA.
El texto completo no deberá superar los 35.000 caracteres. Los trabajos deben ser enviados a los coordinadores de los GT y con copia a los Vice-coordinadores respectivos, UNICAMENTE.
GT 16 - Estudios sobre Periodismo Grupo Temático Coordinador: Ana Carolina Rocha Pessoa Temer (UFG, Brasil) Anacarolina.temer@gmail.com
Perfil
El grupo de trabajo de Estudios sobre Periodismo busca reflexionar y generar información empírica sobre los procesos de producción, circulación y consumo de mensajes periodísticos en América Latina. Pueden participar académicos en las siguientes líneas de investigación:
Ensayos o trabajos empíricos sobre la economía política de los medios informativos latinoamericanos, sus patrones de propiedad y control, estructuras, dependencia publicitaria etc.
Ensayos o trabajos empíricos (encuestas, entrevistas, etnografías, etc.) sobre los procesos de producción y distribución de mensajes periodísticos en países de América Latina.
Ensayos o trabajos empíricos (análisis de contenido, análisis del discurso, etc.) sobre el contenido de los mensajes periodísticos impresos o audiovisuales de los medios latinoamericanos.
Ensayos o trabajos empíricos (encuestas, entrevistas, sesiones de grupo, observación participantes, etnografías) sobre los procesos de recepción, consumo y apropiación de mensajes periodísticos en América Latina.
Vice-Coordinadora: Alvaro Henrique Duque (U Rosario, Colombia) Contacto: alvaro.duque@urosario.edu.co Referentes locales Universidad de la República: Aníbal Paiva y Samuel Blixen UCU: Édison Lanz